terça-feira, 5 de abril de 2011

    

 UMA ÁGUIA CHAMADA "CIRCUNSTÂNCIAS"

 A águia empurrou gentilmente seus filhotes para a beirada do ninho.
 Seu coração se acelerou com emoções conflitantes, ao mesmo tempo em que
 sentiu a resistência dos filhotes a seus insistentes cutucões.
 Por que a emoção de voar tem que começar com o medo de cair? Pensou ela.
 O ninho estava colocado bem no alto de um pico rochoso. Abaixo, somente o
 abismo e o ar para sustentar as asas dos filhotes.
 E se justamente agora isto não funcionar? Ela pensou.
 Apesar do medo, a águia sabia que aquele era o momento. Sua missão estava
 prestes a se completar, restava ainda uma tarefa final: o empurrão.
 A águia encheu-se de coragem. Enquanto os filhotes não descobrirem suas asas
 não haverá propósito para a sua vida. Enquanto eles não aprenderem a voar
 não compreenderão o privilégio que é nascer águia.
 O empurrão era o menor presente que ela podia oferecer-lhes. Era seu supremo
ato de amor.
 Então, um a um, ela os precipitou para o abismo. E eles voaram!
 
Às vezes, nas nossas vidas, as circunstâncias fazem o papel de águia. São elas que nos empurram para o abismo. E quem sabe não são elas, as próprias circunstâncias, que nos fazem descobrir que temos asas para voar.